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  • Foto do escritorVinicius Alves

A cerveja pode ser um bom pós-treino?


A ingestão de bebidas alcoólicas, como a cerveja, está presente na vida cotidiana de muitas pessoas. Além disso, o álcool é a droga recreativa mais consumida no mundo. Se consumido com moderação e com frequência controlada, pode ser que não cause malefícios, pelo contrário, pode ser até benéfico. Porém, quando consumido frequentemente e/ou em grandes quantidades, diversos problemas podem ser encontrados. Sendo assim, quais são as consequências de seu consumo para a recuperação pós-treino?


As consequências do consumo de álcool dependem do tamanho da dose consumida e do período em que é consumida. Assim, quando consumido anteriormente ao treino, o álcool pode gerar efeitos negativos sobre a função cognitiva e prejudicar o rendimento na atividade física. Já no período pós-treino, bebidas alcoólicas podem afetar negativamente a recuperação e a adaptação do tecido muscular. Esse efeito se dá pelas alterações metabólicas, aumento da diurese e, principalmente, diminuição da síntese proteica, além de outros efeitos agudos como prejuízo sobre a força, potência, resistência muscular, velocidade e resistência cardiovascular. Ademais, o consumo agudo de álcool pode causar uma diminuição da síntese proteica muscular em até 75% por, no mínimo, 24 horas após a ingestão mesmo se a alimentação estiver adequada.


Outrossim, as fibras musculares de contração rápida, que são utilizadas com predominância em atividades de curta duração e alta intensidade, como musculação, corrida de 100 metros, parecem sofrer mais com os efeitos do álcool, enquanto fibras de contração lenta, utilizadas predominantemente em exercícios de longa duração e intensidade média-baixa, parecem sofrer menos com estes efeitos. De qualquer forma, em qualquer tipo de atividade física é visto um prejuízo da recuperação muscular com a administração de bebidas alcoólicas.


Além destes efeitos sobre os músculos esqueléticos, o álcool pode colaborar para o aumento da ingestão calórica, uma vez que 1 grama de álcool possui 7 Kcal (1 grama de gordura possui 9 Kcal e 1 grama de carboidrato ou proteína possui 4 Kcal). Outrossim, quando esta substância é ingerida, o organismo a reconhece como uma substância tóxica, assim, passa a dar prioridade pela metabolização e excreção do álcool pelo organismo. Quando isso ocorre, há uma diminuição da utilização de gorduras como fonte de energia.


Alguns outros efeitos que o álcool possui se dão pela diminuição da função endócrina e imunológica do indivíduo, diminuição da testosterona em homens, afetando a composição corporal, e diminuição da função barreira do intestino. Desta forma, a ingestão de doses acima de 1 grama/Kg de peso corporal devem ser evitadas, principalmente em períodos próximos ao treinamento. No longo prazo, o consumo exacerbado de bebidas alcoólicas pode causar danos físicos, sociais e psicológicos.


Além disso, indivíduos que possuem o hábito de consumir uma grande quantidade de bebidas alcoólicas tendem a possuir outros hábitos inadequados para a saúde e recuperação muscular, como alimentação inadequada, privação do sono e baixo nível de atividade física.


Por fim, recomenda-se não ingerir cerveja e outros tipos de bebidas alcoólicas após o treino pois pode haver prejuízo sobre a recuperação muscular. Para orientações individualizadas e possíveis problemas com álcool recomenda-se o acompanhamento com nutricionista, educador físico, psicólogo e médico.


Referências

BARNES, Matthew J. Alcohol: impact on sports performance and recovery in male athletes. Sports Medicine, v. 44, n. 7, p. 909-919, 2014.


LEAN, M. E. J. et al. Different associations between body composition and alcohol when assessed by exposure frequency or by quantitative estimates of consumption. Journal of Human Nutrition and Dietetics, v. 31, n. 6, p. 747-757, 2018.


THOMAS, D. Travis; ERDMAN, Kelly Anne; BURKE, Louise M. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: nutrition and athletic performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, v. 116, n. 3, p. 501-528, 2016.

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